Sobre este episodio
A confirmação da nova variante do coronavírus, na África do Sul, deixou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em alerta. Esse conjunto de mutações do vírus, denominado de Ômicron, não é o primeiro, e não será o último derivado do agente causador da Covid-19. O aparecimento de variantes é um evento natural dentro do processo evolutivo de todo vírus. A maioria dessas mutações não tem grande impacto na disseminação viral. Mas dependendo da localização dessas alterações no material genético do vírus, elas podem afetar características essenciais como transmissão ou gravidade. E aí entra uma preocupação maior: se as alterações que a Ômicron carrega seriam capazes de driblar a ação das vacinas hoje disponíveis contra a Covid. Os cientistas estão alarmados com as 50 mutações encontradas no vírus, 32 delas na proteína spike, a chave que ele usa para entrar nas células, e ali se multiplicar. Por enquanto, pouco se sabe sobre os efeitos dessas mutações. Por isso, ainda é preciso descobrir como essa nova variante reage às vacinas, qual é seu grau de transmissão e gravidade. As farmacêuticas já começaram a fazer os testes de eficácia de seus imunizantes. Enquanto isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), comunicou que, no cenário atual do Brasil, as vacinas permanecem efetivas contra hospitalizações e mortes. No Ao Ponto desta quinta-feira, a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim/Regional-SP), Melissa Palmieri, explica o que pode determinar a mudança ou não a fórmula de uma vacina diante de uma nova variante. A professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e ex-diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP, Ester Sabino, trata sobre os sinais que indicam aos cientistas sobre a necessidade de adaptação dos imunizantes hoje disponíveis.